Editorial
Produto da indignação da sociedade civil organizada de Maringá, somos a SER – Sociedade Eticamente Responsável. Era o ano de 2003. Isto porque o início da década de 2000 foi marcante demais para esta cidade. Mais de R$ 100 Milhões “deixavam” os cofres públicos municipais e descaradamente “iam parar” nas mãos de cidadãos eleitos e nomeados pelo e para povo maringaense, justamente para representá-lo e fazer a arrecadação pública se converter em serviço público de qualidade. A honestidade nunca havia estado tão fora de moda por aqui. Não restavam dúvidas de que um “esquema” de corrupção, mal que assola um planeta carente de evolução moral, também tinha contaminado fortemente esta cidade. Mas a evolução moral tão lenta e pusilânime precisava (e ainda precisa) ser puxada por uma locomotiva chamada Educação. E foi esse gênero de solução, sob a espécie Fiscal que a SER abraçou. Educação Fiscal. Cidadania Fiscal. Pronto ! Não era preciso mais definir, mas atuar. Campanhas, teatro, música, concursos. Tudo para conscientizar o cidadão de que é ele quem deve mudar sua postura contemplativa e participar fiscalizando e constrangendo o poder público a fazer o que deve ser feito corretamente. Honestamente ! Mas a educação não caminha a largas passadas e por isto ainda era preciso por o “dedo na ferida”, porque a malversação de recursos públicos acontece todo dia. Era o ano de 2006. A SER resolve então criar mais uma Vice-Presidência, o Observatório Social de Maringá. E põe o dedo na ferida. E aprende que o Controle Social dava muito mais manchetes do que a Educação Fiscal. Em pouco tempo a Criatura ficava maior do que o Criador. Inovação Social, prêmios, reconhecimento. Tudo de muitíssima importância porque o Controle Social vai à luta para “apagar o incêndio”. É uma espécie de Corpo de Bombeiros, heróis, portanto. Mas a SER sabe que isso é paliativo. O Corpo de Bombeiros não é e nem nunca será suficiente. É preciso “umidificar a floresta” para que focos de incêndio nunca vinguem. E isto só a cidadania fiscal exercida com plenitude será capaz de resolver. Mas, cidadania plena só se constrói sob os fortes alicerces da Educação. Logo, Cidadania Fiscal se constrói colocando na argamassa da Educação ingredientes especiais que compõem a Educação Fiscal e que a médio e longo prazos podem formar pessoas conscientes de seus direitos e deveres garantidos pela Constituição Brasileira, inclusive podem mobilizar pessoas com capacidade para combater a sonegação e a má utilização da pesada carga de impostos que pagamos. Enquanto a Educação Fiscal ainda não conseguiu formar número de pessoas suficientes para administrar honestamente e para fiscalizar os serviços públicos, seguimos apostando nos políticos e servidores públicos honestos e usando nosso direito de “observar” e agir em prol da transparência e da eficiência na gestão pública.
SER – Sociedade Eticamente Responsável em 22 de dezembro de 2011.


